sábado, 28 de outubro de 2023

O Cristianismo dignificou as mulheres



No panorama atual, é comum encontrarmos a percepção de que o Cristianismo, ao longo de sua história, tenha sido inerentemente anti-mulher, limitando o papel e as liberdades das mulheres. No entanto, este texto tem como objetivo desafiar essa visão predominante, explorando evidências que destacam o impacto positivo do Cristianismo na vida das mulheres e a contribuição significativa que essa fé teve para seu progresso ao longo dos séculos. Ao examinarmos a história e os ensinamentos cristãos de maneira mais detalhada, revelam-se narrativas menos conhecidas que mostram um contexto mais complexo, onde o Cristianismo desempenhou um papel importante na promoção da dignidade, igualdade e direitos das mulheres.

Há evidências de que mulheres eram maioria na igreja primitiva. O crítico pagão Celso criticou o cristianismo porque era uma religião que atraía mulheres. Alguns outros fatos deixam ainda mais claro o valor da mulher no cristianismo: 

1) Tanto o homem quanto a mulher foram criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:27);

2) O testemunho de uma mulher era considerado indigno de confiança na época de Jesus, mesmo assim, Jesus enviou mulheres como as primeiras testemunhas de sua ressurreição (Jo 20:17);

3) Filhos devem honrar pai e mãe;

4) Maridos devem amar suas esposas como Cristo amou a igreja (Ef 5:25-33);

5) A pessoa mais venerada em toda a história do Cristianismo, abaixo apenas do próprio Jesus, foi uma mulher: Maria;

6) Desde o começo, mulheres puderam fazer praticamente tudo o que homens fazem na igreja, foram missionárias, diaconisas, discípulas, doutoras da igreja, líderes de conventos e mosteiros (inclusive duplos,com homens e mulheres), etc. Apenas cargos de liderança associados à ministração dos sacramentos estiveram restritos aos homens;

7) A educação para as mulheres foi principalmente um legado do Cristianismo, mulheres podiam estudar em mosteiros e conventos; na Idade Moderna, os reformadores defendiam a educação para que todos pudessem ler e interpretar a Bíblia; cristãos levaram a educação para mulheres em culturas nas quais elas não tinham acesso à educação:

• Uma missionária cristã (Fidelia Fiske) criou a primeira escola para mulheres na Pérsia;

• William Carey, missionário batista, foi pioneiro ao promoveu a educação para mulheres na Índia. Ele também combateu o infanticídio e a prática hindu de queimar de viúvas vivas em piras funerárias (sati);

• O casal Ann e Adoniram Judson também foi pioneiro e criou escolas para meninas na Birmânia.

8) William Carey combateu a queima de viúvas vivas em pitas funerárias na Índia;

9) Por influência de pensadores cristãos, como Basílio de Cesareia e Gregório de Nissa, o Imperador Teodósio proibiu a exploração sexual de escravas, lançando inclusive um precedente para a ideia de que o sexo deve ser consentido;

10) Missionários cristãos combateram a prática de pés de lótus na China, que deformava propositalmente os pés das mulheres. Lin Yutang montrou que foi a influência dos missionários cristãos que levou essa prática a ser proibida em 1912.

Vários outros exemplos poderia ser citados. Basta avaliar os fatos sem o filtro ideológico do feminismo ou de qualquer outra ideologia para perceber que o Cristianismo criou uma cultura na qual a mulher deve ser honrada e protegida.

Marie Lynne Kohm diz que "o cristianismo influenciou profundamente a lei. Um relacionamento pessoal com Jesus Cristo muitas vezes transformou a vida das mulheres. Mulheres transformadas por Cristo têm usado seus dons e talentos para abrir oportunidades que antes não estavam disponíveis oportunidades para mulheres na religião, educação, política e sociedade. (...) Quem acredita que o feminismo, e não o cristianismo, estabelece o tratamento justo das mulheres, não entende o cristianismo."

Alvin J. Schmidt diz que foi o exemplo de Jesus que "seus seguidores refletiram em suas relações com as mulheres, elevando sua dignidade, liberdade e direitos a um nível anteriormente desconhecido em qualquer cultura. Basta lembrar como as mulheres eram maltratadas pelos gregos, romanos, hindus e chineses e por muitas outras sociedades onde o paganismo prevalecia. Antes da chegada do cristianismo, século após século trouxe pouca ou nenhuma liberdade ou dignidade para as mulheres em qualquer cultura pagã."

Também o historiador medievalista Jacques Le Goff diz o seguinte:

"Maria, Maria Madalena, Marta.., Os Evangelhos estão povoados de figuras femininas que rodeiam Cristo e o inspiram, O cristianismo medieval, longe de reduzir a mulher a um papel secundário, ao contrário, deu-lhe um verdadeiro lugar ao lado do homem."

A historiadora Sharon James diz:

"Como o cristianismo se espalhou rapidamente na América Latina, Ásia e África durante o século XX, isso teve um impacto positivo nas mulheres. A pesquisa nas áreas onde o cristianismo está crescendo mais rápido mostra que, assim como na igreja primitiva, o valor concedido às mulheres é um fator significativo. (...)

As mulheres hoje em todo o mundo ainda sofrem opressão. Mas quais são os países onde as mulheres são retidas, proibidas de estudar, casadas quando crianças e sujeitas a abusos sistemáticos, como crimes de honra e mutilação genital? Estes são os países onde o cristianismo é proibido. Embora a maioria seja de nações de maioria muçulmana, o país do mundo apontado como mais perigoso para as mulheres é a Índia, uma nação de maioria hindu, com talvez um bilhão de hindus. Mas há uma forte minoria cristã ali, estimada em cerca de 71 milhões. E os cristãos muitas vezes estão assumindo a liderança em mudar as coisas para melhor para as mulheres."

Até mesmo o historiador progressista Tom Holland, comentando Efésios 5:23-24, afirma:

"... pode parecer sexista agora, que a mulher chega a ser a igreja e não pode ser Cristo. Mas, na verdade, o que Paulo está fazendo é dar uma qualidade sacral incrivelmente potente ao corpo físico de uma mulher. Que uma mulher não está ali para ser abusada sexualmente. Ela não está lá para ser atacada por um homem poderoso. E se isso é verdade para uma mulher aristocrática, também é verdade para a mulher mais humilde de uma família romana."


Referências

DANIYAL, Shoaib. ‘Christianity gave women a dignity that no previous sexual dispensation had offered’: Tom Holland. Scrolls.in. Disponível em: <https://scroll.in/article/953904/christianity-gave-women-a-dignity-that-no-previous-sexual-dispensation-had-offered-tom-holland>. Acesso em: 23 nov. 2022.

KOHM, Lynne Marie. A Christian perspective on gender equality. Duke J. Gender L. & Pol'y, v. 15, p. 339, 2008.

LE GOFF, Jacques. Uma longa idade média. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008.

SHARON, James. Biblical Christianity Upholds the Sanctity of Life and the Dignity of Women. Affinity. Disponível em: <https://www.affinity.org.uk/news/882-biblical-christianity-upholds-the-sanctity-of-life-and-the-dignity-of-women/>. Acesso em: 16 ago. 2023.

SCHMIDT, Alvin J. How Christianity changed the world. Zondervan, 2004.

SHAH, Timothy; HERTZKE, Allen. Christianity and Freedom: Volume 1: Historical Perspectives. Cambridge Studies in Law and Christianity. New York: Cambridge University Press, 2016>

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