Veja a parte 3 aqui
19) Todos devem morrer?
Algumas pessoas nunca morrerão. [Gn 5:24], [Jo 8:51], [Jo 11:26], [Hb 11:5]
Todos morrerão. [Rm 5:12], [Hb 9:27]
Vamos analisar os versículos relevantes:
Algumas pessoas nunca morrerão: Alguns versículos, como [Gn 5:24], [Jo 8:51], [Jo 11:26] e [Hb 11:5], mencionam casos específicos em que pessoas não experimentaram a morte física da maneira usual. Por exemplo, Enoque foi "levado por Deus" e não experimentou a morte. Jesus, em João 8:51 e João 11:26, fala sobre a vida eterna para aqueles que creem Nele. Hebreus 11:5 destaca a fé de Enoque e sua consequente tradução para que ele não visse a morte. Esses versículos tratam de casos especiais que não se aplicam a todas as pessoas.
Todos morrerão: Por outro lado, versículos como [Rm 5:12] e [Hb 9:27] falam de uma realidade geral: a entrada do pecado no mundo por meio de Adão resultou na morte física como uma parte comum da experiência humana. Romanos 5:12 afirma que "a morte passou a todos os homens", referindo-se à morte física que afeta toda a humanidade. Hebreus 9:27 ensina que "aos homens está ordenado morrerem uma vez", novamente enfatizando a inevitabilidade da morte física.
Portanto, não há contradição real nas Escrituras. Os versículos que mencionam exceções à morte física se referem a casos específicos e extraordinários. Aqueles que creem em Cristo têm a promessa da vida eterna, mas ainda enfrentam a morte física como parte da condição humana devido ao pecado original. Esses versículos são complementares em vez de contraditórios, quando considerados em seu contexto apropriado e dentro do pressuposto da inerrância e inspiração das Escrituras.
20) Pode alguém ascender aos céus?
Nenhum homem pode. [Jo 3:13]
Alguns ascenderam aos céus. [Gn 5:24], [II Rs 2:11], [Hb 11:5]
Nenhum homem pode ascender aos céus (João 3:13): Neste versículo, Jesus estava ensinando a Nicodemos sobre questões espirituais e celestiais. Ele estava afirmando Seu conhecimento único e autoridade como Aquele que desceu do céu (referindo-se a Si mesmo como o Filho de Deus). Jesus estava enfatizando que ninguém mais na Terra tinha essa autoridade divina para falar sobre o reino dos céus com um entendimento de primeira mão.
Alguns ascenderam aos céus (Gn 5:24; 2 Rs 2:11; Hb 11:5): Esses versículos se referem a casos específicos de pessoas que foram levadas diretamente aos céus por intervenção divina. Por exemplo, Elias foi arrebatado ao céu em um carro de fogo (2 Rs 2:11), e Enoque "andou com Deus" e foi levado por Deus (Gn 5:24; Hb 11:5).
A solução para essa aparente contradição está na compreensão do contexto e da intenção por trás das declarações. Jesus estava enfatizando Sua singularidade como Filho de Deus que desceu do céu para trazer uma mensagem divina. Ele não estava negando a possibilidade de Deus, em Sua soberania, levar algumas pessoas diretamente aos céus, como fez com Elias e Enoque. Portanto, esses versículos são complementares e não contraditórios quando considerados em seus contextos apropriados.
21) Quantos filhos Deus teve?
Deus teve somente um filho. [Jo 3:18], [I Jo 4:9]
Deus teve muitos filhos. [Gn 6:2], [Gn 6:4], [Jó 1:6], [Jó 2:1], [Jó 38:6-7]
Deus teve somente um filho (João 3:18; 1 João 4:9): Esses versículos se referem ao título único e especial de Jesus como "O Filho de Deus" com "F" maiúsculo. Jesus é divino por natureza, eterno e parte da Trindade, e Ele é o único Filho de Deus dessa maneira. Essa filiação divina de Jesus é única e exclusiva.
Deus teve muitos filhos (Gênesis 6:2, 6:4; Jó 1:6, 2:1, 38:6-7): Essas passagens fazem referência a seres espirituais ou seres humanos que são chamados "filhos de Deus" em um sentido diferente. Eles são criaturas de Deus e não compartilham da natureza divina de Jesus. Os anjos são frequentemente chamados de "filhos de Deus" no Antigo Testamento, e os seres humanos podem ser chamados de "filhos de Deus" em um sentido mais amplo, como criação de Deus.
Jesus é o Filho de Deus de uma maneira única e divina, enquanto os seres humanos podem ser chamados de "filhos de Deus" por adoção espiritual e não compartilham da mesma natureza divina que Jesus. Portanto, não há contradição quando entendemos essas afirmações em seus respectivos contextos e significados.
22) Qual é o tempo de vida do homem?
70 anos. [Sl 90:10]
120 anos. [Gn 6:3]
A aparente contradição entre a longevidade humana de 70 anos mencionada em Salmos 90:10 e a referência a 120 anos em Gênesis 6:3 pode ser esclarecida considerando o contexto e os diferentes aspectos envolvidos:
Gênesis 6:3 - 120 anos: A passagem em Gênesis 6:3 não necessariamente se refere à expectativa de vida humana. Pode estar se referindo ao tempo restante até que o dilúvio aconteça, uma espécie de contagem regressiva para o evento catastrófico. Portanto, não é uma declaração sobre a longevidade humana em si.
Salmos 90:10 - 70 anos: O Salmo 90, atribuído a Moisés, reflete sobre a brevidade da vida humana após o tempo do deserto. Os 70 anos mencionados aqui provavelmente se referem à média de vida das pessoas naquela época, em contraste com as vidas mais longas dos patriarcas mencionados no livro de Gênesis.
O contexto histórico, as mudanças nas condições de vida e a compreensão dos números podem explicar essas aparentes diferenças. Portanto, não há contradição real quando consideramos essas passagens em seus contextos apropriados.
23) Deus se arrepende?
Deus nunca se arrepende. [Nm 23:19], [I Sm 15:29], [Ez 24:14], [Ml 3:6]
Deus se arrepende. [Gn 6:6], [Ex 32:14], [Dt 32:36], [I Sm 15:11], [I Sm 15:35], [II Sm 24:16], [I Cr 21:15], [Is 38:1-5], [Jr 15:6], [Jr 18:8], [Jr 26:3], [Jr 26:13], [Jr 26:19], [Jr 42:10], [Am 7:3], [Am 7:6], [Jn 3:10]
O arrependimento de Deus, como descrito nos versículos mencionados, é diferente do arrependimento humano em vários aspectos importantes:
Natureza Divina: Deus é perfeito, santo e imutável em Sua natureza. Seu arrependimento não implica erro, mudança de mente ou imperfeição em Sua decisão original. O arrependimento de Deus é uma expressão de Sua soberania, graça e misericórdia, não uma resposta a Seu próprio erro.
Resposta às Ações Humanas: O arrependimento de Deus nas Escrituras frequentemente ocorre em resposta às ações e atitudes humanas. Ele demonstra Sua disposição de interagir com a humanidade de acordo com as escolhas que fazemos. Deus responde de maneira apropriada à obediência, arrependimento e súplicas das pessoas.
Contexto Relacional: O arrependimento de Deus está inserido em um contexto relacional com a humanidade. Ele mostra Sua disposição de mudar Sua ação em resposta ao relacionamento que Ele tem com as pessoas. Isso destaca Sua graça e Sua vontade de perdoar e restaurar aqueles que se voltam para Ele.
Demonstração de Misericórdia: O arrependimento de Deus muitas vezes é acompanhado pela demonstração de Sua misericórdia e graça. Ele está disposto a adiar juízos, perdoar pecados e estender a vida em resposta às súplicas e arrependimento das pessoas.
Linguagem Figurativa: A linguagem usada para descrever o arrependimento de Deus nas Escrituras é frequentemente figurativa e antropomórfica, destinada a tornar compreensíveis para os seres humanos os atributos divinos complexos. Deus não tem emoções como o arrependimento, mas a linguagem figurativa nos ajuda a entender Sua relação conosco.
Portanto, o arrependimento de Deus nas Escrituras não é comparável ao arrependimento humano, que implica reconhecimento de erro ou mudança de mente. Em vez disso, reflete Sua resposta amorosa e sábia às ações e atitudes humanas, sempre dentro do contexto de Sua natureza divina perfeita.
Os textos mencionados não representam uma contradição real na natureza de Deus, mas sim usam linguagem antropomórfica para explicar o relacionamento de Deus com a humanidade e suas reações diante das ações humanas. Vamos analisar esses textos:
I Samuel 15:29 afirma que Deus não é um ser humano para se arrepender, destacando a perfeição e a natureza imutável de Deus em relação a Seus propósitos e promessas divinas.
Gênesis 6:6 menciona que Deus se arrependeu de ter criado a humanidade devido à extrema maldade que havia na Terra. Isso não significa que Deus cometeu um erro em Sua criação, mas mostra Sua tristeza e desgosto com o pecado humano. É uma forma de expressar o profundo pesar de Deus pelas ações dos seres humanos.
Êxodo 32:14 descreve Deus como se arrependendo do mal que pensava fazer ao povo quando Moisés intercedeu por eles após o incidente do bezerro de ouro. Isso reflete a mudança na atitude de Deus em resposta à intercessão de Moisés. Deus não cometeu erro, mas mostrou Sua misericórdia e graça diante da súplica de Moisés.
Deuteronômio 32:36: Este versículo fala sobre o Senhor julgando o Seu povo e mostrando compaixão aos Seus servos quando Ele vê que o poder deles se foi. Isso não implica que Deus mude a Sua natureza, mas que Ele responde de acordo com as ações e atitudes do Seu povo.
I Samuel 15:11 e 35 relatam que Deus se arrependeu de ter constituído Saul como rei devido à desobediência de Saul às Suas ordens. Isso mostra que Deus lida de forma diferenciada com as ações humanas e muda Sua atitude em resposta à obediência ou desobediência humana.
II Samuel 24:16: Neste versículo, Deus enviou uma praga sobre Israel como juízo, mas depois se arrependeu de trazê-la até o fim. Novamente, isso mostra a capacidade de Deus de mudar Sua ação em resposta à intercessão e ao arrependimento das pessoas.
1 Crônicas 21:15: Este versículo relata o mesmo evento que II Samuel 24:16, onde Deus enviou uma praga sobre Israel devido ao pecado de Davi. No entanto, Deus se arrependeu e ordenou a interrupção da praga após a intervenção do profeta Gade.
Isaías 38:1-5: Aqui, Deus envia uma mensagem ao rei Ezequias por meio do profeta Isaías, informando-o de que ele morrerá devido a uma doença. No entanto, quando Ezequias ora fervorosamente, Deus decide estender a vida de Ezequias em resposta à sua oração. Isso demonstra a disposição de Deus em responder às súplicas de Seu povo.
Jeremias 15:6, 18:8, 26:3, 26:13, 26:19, 42:10: Todos esses versículos estão relacionados com os juízos de Deus sobre o povo de Israel em resposta à sua desobediência. Em cada caso, Deus estava disposto a mudar Sua decisão de destruição quando Seu povo demonstrava arrependimento e obediência. Isso enfatiza Sua paciência e Sua vontade de mostrar misericórdia quando as pessoas se voltam para Ele.
Amós 7:3, 7:6: Aqui, Deus mostra a Amós visões de juízo, mas depois muda Sua decisão em resposta à intercessão de Amós. Isso ilustra como Deus está disposto a responder às súplicas de Seus profetas e a reconsiderar Sua ação.
Jonas 3:10 narra como Deus mudou Sua decisão de destruir Nínive devido ao arrependimento e mudança de comportamento dos ninivitas em resposta à pregação de Jonas. Isso ilustra a capacidade de Deus de responder às mudanças no comportamento humano.
Em resumo, a linguagem usada nesses textos é figurativa e antropomórfica, destinada a transmitir verdades espirituais e relacionais em termos compreensíveis para os seres humanos. Deus não muda em Sua natureza, mas pode mudar Sua atitude em resposta às ações e atitudes dos seres humanos, demonstrando Sua misericórdia, graça e justiça de maneira adequada às circunstâncias. Portanto, não há contradição real entre esses textos quando entendidos dentro desse contexto.
24) Já houve alguém justo, íntegro e bom (uma pessoa perfeita)?
Não. [I Rs 8:46], [II Cr 6:36], [Sl 14:3], [Sl 53:3], [Pv 20:9], [Ec 7:20], [Is 41:26], [Mc 10:18], [Rm 3:10], [Rm 3:12], [Rm 3:23], [I Jo 1:8], [I Jo 1:10]
Sim. [Gn 6:9], [Gn 7:1], [I Rs 15:14], [II Cr 15:17], [Jó 1:1], [Jó 1:8], [Jó 2:3], [Sl 16:3], [Mt 25:46], [Lc 1:6], [Lc 2:25], [Tg 5:16], [II Pe 2:7-8], [I Jo 3:6], [I Jo 3:9]
Algumas considerações explicam essa suposta contradição:
Natureza da Justiça Humana: Quando os versículos dizem que "não houve ninguém justo", eles geralmente estão se referindo à justiça humana baseada em méritos próprios. Os seres humanos, por natureza, estão sujeitos ao pecado e à imperfeição. Não podemos nos tornar justos aos olhos de Deus apenas por nossos próprios esforços, como indicam versículos como Romanos 3:10, que destacam a universalidade do pecado humano.
Justiça pela Fé e Relacionamento com Deus: Os versículos que afirmam a existência de pessoas justas estão muitas vezes se referindo à justiça que vem pela fé e ao relacionamento com Deus. Isso significa que, embora os seres humanos não sejam justos por si mesmos, podem encontrar justiça e retidão em Deus e por meio de um relacionamento com Ele.
Contexto do Antigo Testamento: No contexto do Antigo Testamento, antes do sacrifício redentor de Cristo, a justiça era frequentemente descrita em termos de obediência à Lei. No entanto, sabemos pelas Escrituras que ninguém pôde cumprir a Lei perfeitamente, exceto Jesus. Portanto, mesmo as pessoas justas mencionadas nos versículos estavam justificadas perante Deus pela fé e pela graça, não por seus próprios méritos.
Contexto do Novo Testamento: Com a vinda de Jesus e Sua obra redentora, a justiça pela fé se tornou ainda mais evidente. Os versículos que afirmam a existência de pessoas justas no Novo Testamento geralmente se referem à justiça que vem através da fé em Cristo e à transformação que o Espírito Santo opera na vida dos crentes.
Os versículos que afirmam que não há ninguém justo, íntegro e bom (uma pessoa perfeita) [I Rs 8:46], [II Cr 6:36], [Sl 14:3], [Sl 53:3], [Pv 20:9], [Ec 7:20], [Is 41:26], [Mc 10:18], [Rm 3:10], [Rm 3:12], [Rm 3:23], [I Jo 1:8], [I Jo 1:10]: Esses versículos destacam a natureza pecaminosa da humanidade e a necessidade da redenção através de Deus. Eles não negam a possibilidade de pessoas serem justas, íntegras e boas em um contexto relativo.
Os versículos que afirmam que houve alguém justo, íntegro e bom [Gn 6:9], [Gn 7:1], [I Rs 15:14], [II Cr 15:17], [Jó 1:1], [Jó 1:8], [Jó 2:3], [Sl 16:3], [Mt 25:46], [Lc 1:6], [Lc 2:25], [Tg 5:16], [II Pe 2:7-8], [I Jo 3:6], [I Jo 3:9]: Esses versículos destacam exemplos de pessoas que foram consideradas justas ou íntegras por Deus pela obediência à Lei, no contexto do Antigo Testamento, ou pela fé em Cristo.
Portanto, não há contradição real aqui. Os versículos negativos se referem à justiça humana baseada em méritos próprios, enquanto os versículos positivos destacam a justiça que vem através da fé em Deus e em Cristo. Ambos os conceitos são consistentes dentro da mensagem mais ampla das Escrituras. Em essência, esses versículos não contradizem a inerrância da Bíblia. Eles abordam a complexidade da natureza humana e a necessidade de salvação divina, enquanto também reconhecem exemplos de pessoas que viveram de maneira justa e íntegra sob a orientação de Deus. O contexto e a interpretação cuidadosa são fundamentais ao considerar essas passagens
Veja a parte 5 aqui
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