domingo, 8 de outubro de 2023

Refutando a Bíblia do Cético: Contradições, parte 5


Veja a parte 4 aqui


25) Quando Noé entrou na arca?


Sete dias antes da inundação. [Gn 7:7-10]


No mesmo dia em que começou a inundação. [Gn 7:11-13]


A aparente discrepância entre os versículos mencionados pode ser resolvida com base na interpretação literal dos textos bíblicos, levando em consideração o contexto e os detalhes fornecidos.

Primeiramente, é importante notar que os versículos de Gênesis 7:6-14 descrevem um evento complexo e detalhado: a entrada de Noé e sua família na arca e a subsequente inundação. A interpretação correta leva em conta os seguintes pontos:

Preparação e entrada na arca: Noé, sua família e os animais entraram na arca conforme as instruções de Deus. Isso ocorreu durante um período de sete dias (Gn 7:7-10). Durante esse tempo, eles estavam se preparando e obedecendo à ordem divina.

Início da inundação: No sétimo dia, no ano 600 de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, ocorreu o início da inundação, como mencionado em Gênesis 7:11-13. As fontes do abismo foram rompidas, e as janelas dos céus se abriram, dando início à chuva intensa que duraria quarenta dias e quarenta noites.

Portanto, não há contradição nessas passagens. A entrada na arca e a preparação ocorreram durante os sete dias antes da inundação. No sétimo dia, precisamente como Deus havia predito, as águas do dilúvio começaram a inundar a terra. Esses eventos se encaixam perfeitamente quando considerados em seu contexto e não representam contradição, mas sim uma narrativa detalhada dos eventos relacionados ao dilúvio, destacando a obediência de Noé e a fidelidade de Deus às Suas promessas.



26) Quantos animais de cada espécie Noé levou na arca?


Noé recebe ordens para levar dois de cada animal para a arca. [Gn 6:19-20], [Gn 7:8-9], [Gn 7:15]


Noé recebe ordens para pegar sete animais de cada espécie. [Gn 7:2-3]


A aparente contradição sobre o número de animais que Noé deveria levar na arca pode ser esclarecida considerando a distinção entre a ordem inicial de Deus e as instruções adicionais posteriormente dadas.

Dois de cada espécie inicialmente: Inicialmente, Deus instrui Noé a levar dois de cada espécie de animal para a arca, conforme mencionado em Gênesis 6:19-20. Essas instruções foram dadas antes que Deus especificasse a diferença entre animais limpos e imundos.

Sete de cada espécie limpa, com propósito específico: Posteriormente, em Gênesis 7:2-3, Deus fornece instruções adicionais. Ele especifica que Noé deve levar sete de cada espécie de animal limpo, tanto machos quanto fêmeas. Essas instruções extras são feitas com um propósito específico, que é revelado posteriormente na narrativa. Os animais limpos seriam usados em sacrifícios após o dilúvio, conforme detalhado em Gênesis 8:20.

Portanto, a distinção entre as ordens iniciais e as instruções adicionais de Deus esclarece a aparente contradição. Noé foi inicialmente instruído a levar dois de cada espécie de animal, enquanto as instruções subsequentes especificavam a necessidade de sete de cada espécie limpa. Essa diferenciação foi feita com um propósito específico, não representando uma contradição nas Escrituras, mas sim uma harmonização das instruções divinas dadas a Noé.



27) Quanto tempo durou a inundação?


Foram 40 dias. [Gn 7:17]


Foram 150 dias. [Gn 7:24], [Gn 8:3]


O erro de interpretação cometido pelo autor da Bíblia do Cético e que levou a essa conclusão errônea está relacionado à falta de compreensão do contexto e da estrutura narrativa do relato do dilúvio em Gênesis. Os versículos que mencionam "40 dias" se referem ao período em que houve chuvas intensas durante o dilúvio. Essas chuvas foram o início do dilúvio, mas não representam a duração total do evento.

Por outro lado, os versículos que mencionam "150 dias" se referem ao período total que as águas do dilúvio permaneceram na Terra. Isso inclui não apenas o tempo de chuva, mas também o período em que as águas continuaram a subir e, posteriormente, começaram a diminuir até que a arca repousasse no monte Ararate.

Portanto, não há contradição entre esses números. Um representa a duração das chuvas que iniciaram o dilúvio, e o outro representa o período total em que as águas do dilúvio afetaram a Terra. A interpretação correta leva em consideração ambos os períodos, e juntos eles compõem o relato completo do dilúvio conforme apresentado em Gênesis.



28) Deus quer que crianças morram?


Não. Ele não quer que nenhuma morra. [Mt 18:14]


Sim, ele frequentemente mata crianças e instrui outros a fazer o mesmo. [Gn 7:21-22], [Gn 19:24], [Gn 22:2], [Ex 12:30], [Ex 21:15], [Lv 20:9], [Dt 20:16], [Dt 21:18-21], [Js 10:40], [I Sm 15:2-3], [II Sm 12:15-18], [II Rs 2:23-24], [Sl 135:8], [Sl 136:10], [Sl 136:9], [Jr 13:13-14], [Jr 19:9], [Ez 5:10], [Os 9:16], [Os 13:16], [Zc 13:3]


A alegação de que Deus quer que crianças morram com base nos versículos citados pela Bíblia do Cético é uma interpretação tendenciosa e descontextualizada. Vamos analisar esses versículos individualmente para entender o contexto:

Gênesis 7:21-22 - Este versículo descreve o juízo do dilúvio global, no qual Deus puniu a humanidade devido à sua maldade. Não especifica crianças, mas sim toda a humanidade.

Gênesis 19:24 - Refere-se à destruição de Sodoma e Gomorra, cidades dominadas pela depravação. Não menciona crianças inocentes, mas sim os habitantes pecadores dessas cidades.

Gênesis 22:2 - Deus não permitiu que Abraão sacrificasse seu filho Isaque. Este episódio testava a fé de Abraão, mas Deus providenciou um cordeiro em vez de Isaque.

Êxodo 12:30 - Descreve a praga da morte dos primogênitos no Egito como parte do julgamento divino. Isso estava relacionado ao faraó e ao tratamento do povo de Israel, não especificamente a crianças.

Levítico 20:9 - Este versículo faz parte da lei mosaica e estabelece a pena de morte por maldição dos pais. No entanto, é importante notar que essa lei estava relacionada a casos graves de desobediência e rebelião, não se tratava de um desejo de Deus de matar crianças. Crianças nem sequer são mencionadas e dificilmente seriam o alvo dessa lei, mas sim filhos adultos.

Deuteronômio 20:16 - Neste contexto, Deus instrui Israel a conquistar as nações inimigas em Canaã. Mais uma vez, o foco era derrotar líderes militares e religiosos das nações, não crianças. 

Deuteronômio 21:18-21 - Estes versículos tratam da lei referente à disciplina de filhos rebeldes e obstinados. Não se trata de Deus querendo que crianças morram, mas de estabelecer regras para a ordem na sociedade. Também tem como foco filhos adultos. Crianças não são mencionadas.

Josué 10:40 - Esse versículo faz parte da narrativa da conquista de Canaã por Israel, onde o povo foi instruído a destruir as nações inimigas. Novamente, o alvo eram os líderes militares e religiosos, não crianças inocentes.

1 Samuel 15:2-3 - Neste contexto, Deus instruiu o rei Saul a destruir os amalequitas, incluindo homens, mulheres, crianças e animais, como um ato de julgamento divino. Essa ordem deve ser entendida no contexto das ações específicas dos amalequitas e não como um desejo de Deus de matar indiscriminadamente crianças.

2 Samuel 12:15-18 - Esses versículos narram o julgamento divino sobre o filho de Davi como resultado de seus pecados. Não é um exemplo de Deus querendo que crianças inocentes morram, mas sim de consequências relacionadas às ações de adultos.

2 Reis 2:23-24 - Esta passagem descreve a história do profeta Eliseu sendo zombado por rapazes que foram atacados por ursos em resposta à sua zombaria, não descreve morte de crianças. Não é um exemplo de Deus querendo que crianças morram, mas de um incidente específico. A palavra hebraica usada nesse texto indica rapazes de 12 a 30 anos. Em 1 Reis 20:14-15, a mesma palavra é usada para indicar homens do exército.

Salmos 135:8, Salmos 136:10, Salmos 136:9 - Estes versículos fazem parte de salmos que celebram o poder de Deus e Seus atos de julgamento e misericórdia. Eles não indicam um desejo de Deus de matar crianças, mas sim uma descrição poética de Seus feitos.

Jeremias 13:13-14, Jeremias 19:9, Ezequiel 5:10, Oséias 9:16, Oséias 13:16, Zacarias 13:3 - Esses versículos descrevem julgamentos e castigos divinos sobre nações pecadoras, incluindo suas crianças. No entanto, esses julgamentos estavam relacionados à rebelião e ao pecado das nações, não a um desejo de Deus de matar indiscriminadamente crianças.

Nós textos sobre guerras, os alvos prováveis dessas guerras eram líderes militares e religiosos das nações inimigas, não a população civil em geral e, muito menos, crianças. Era comum o uso de hipérboles na linguagem da época, o que significa que as ordens dadas não eram necessariamente para matar qualquer um indiscriminadamente.

É importante ressaltar que, nas cidades antigas, as populações civis geralmente viviam nas regiões circundantes das cidades fortificadas, que serviam como bases militares. Durante um ataque, a população civil, incluindo crianças, tinha um forte incentivo para fugir dessas cidades e buscar refúgio em áreas mais seguras. Portanto, em uma guerra, a população civil não permanecia nas cidades, esperando ser morta.

Assim, quando encontramos versículos que mencionam ordens para Israel matar crianças, é importante interpretá-los à luz desses fatores históricos e culturais, reconhecendo que as ordens não tinham o propósito de eliminar crianças indiscriminadamente, mas sim como parte de estratégias de guerra direcionadas a líderes militares e religiosos das nações inimigas. Portanto, esses textos não contradizem a natureza amorosa e justa de Deus quando considerados em seus devidos contextos históricos e culturais.

É importante entender que muitos desses eventos ocorreram como julgamentos divinos em resposta à maldade e ao pecado das pessoas, não como um desejo de Deus de matar indiscriminadamente crianças. Deus não deseja a morte de crianças inocentes, mas em algumas situações específicas, como julgamentos divinos ou guerras, as consequências afetaram crianças como parte das ações tomadas em relação a adultos pecadores e líderes militares e religiosos. A Bíblia também ensina sobre o amor de Deus por todas as pessoas, incluindo crianças, e Sua vontade de que todos se arrependam e vivam (Mateus 18:14). Portanto, esses versículos não contradizem a natureza amorosa e justa de Deus quando interpretados em seus devidos contextos.



29) Todos (exceto Noé e sua família) morreram na inundação?


Sim. Tudo morreu exceto o que estava na arca. [Gn 7:21-23]


Não. Alguns sobreviveram. [Gn 6:4], [Nm 13:33]


A aparente contradição entre Gênesis 7:21-23 e Gênesis 6:4, bem como Números 13:33, pode ser resolvida por uma análise contextual e uma compreensão mais detalhada dos termos envolvidos.

Primeiramente, é importante notar que Gênesis 6:4 não se refere diretamente à sobrevivência de pessoas após a inundação, mas menciona a existência de "gigantes na terra naqueles dias." É fundamental reconhecer que a palavra "gigantes" aqui pode não se referir a seres sobrenaturais, mas sim a pessoas com características físicas notáveis, como grande estatura e força, como mencionei anteriormente. Portanto, a menção de "gigantes" em Gênesis 6:4 não implica automaticamente que eles sobreviveram à inundação, mas sim que existiram antes dela.

Quanto a Números 13:33, é importante entender o contexto em que essa passagem ocorre. Os espias enviados por Moisés estavam relatando sobre a terra de Canaã, e eles se referiram aos habitantes da terra como "filhos de Enaque," que eram considerados "gigantes." No entanto, essa descrição pode ter sido mais uma questão de reputação, devido à força e ao domínio que esses habitantes exerciam sobre a terra. Não significa necessariamente que essas pessoas eram descendentes diretos dos "gigantes" mencionados em Gênesis 6:4.

Agora, quando nos voltamos para Gênesis 7:21-23, o foco é a inundação global e o resultado dela. O texto afirma que "tudo morreu exceto o que estava na arca." Isso se refere aos seres vivos que estavam fora da arca e foram inundados, incluindo a humanidade pecadora daqueles dias. A menção de "gigantes" em Gênesis 6:4 não contradiz essa afirmação, pois não especifica que esses "gigantes" sobreviveram à inundação. Além disso, Números 13:33, que descreve os habitantes de Canaã como "filhos de Enaque," não necessariamente implica que eles eram descendentes diretos dos "gigantes" mencionados em Gênesis 6:4.

Portanto, a aparente contradição pode ser resolvida considerando o contexto de cada passagem e entendendo que a menção de "gigantes" em diferentes partes da Bíblia pode se referir a pessoas com características físicas notáveis ou reputações de violência, e não necessariamente a seres sobrenaturais. Quando analisados em seus contextos adequados, esses versículos não contradizem a afirmação de que "tudo morreu exceto o que estava na arca" durante a inundação global. É importante reconhecer que os relatos bíblicos podem usar terminologia específica em contextos diferentes, e essa diversidade não implica automaticamente contradição.



30) Por quanto tempo a arca flutuou?


Por sete meses. [Gn 8:4]


Por dez meses. [Gn 8:5]


Isso é bastante simples: Gênesis 8:5 não diz em nenhum lugar que a arca flutuou por dez meses e eu não sei de onde o autor da Bíblia do Cético tirou isso. O que o texto diz é que as águas continuaram a baixar até o décimo mês.

A arca pousou nas montanhas ao sétimo mês, no entanto a água continuou baixando por mais três meses depois que a arca ficou em cima das montanhas.



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